A importância da escuta

Estou ouvindo uma música enquanto escrevo este artigo para vocês, o isolamento forçado da pandemia me trouxe o hábito e o prazer de apreciar a música clássica, grandes artistas como Mozart, Vivaldi e Bach embalam o meu trabalho, pensamentos e sentimentos. É indiscutível a genialidade das pessoas capazes de realizar tamanha obra, mas tal espetáculo acontece pela grande dádiva que é escutar.

Quando nos referimos a comunicação, geralmente focamos na oratória, tom da voz, postura, palavras e a capacidade de influenciar por meio dela, são habilidades fundamentais para garantir o entendimento, conquistarmos objetivos e estabelecer vínculos, então precisamos conhecê-las e investir tempo e energia para o desenvolvimento e aprimoramento da fala.

Porém, dominar todas as técnicas da fala ainda não nos garante o sucesso na comunicação e nem evita os conflitos. Dentro de cada um de nós tem um universo neurológico que causa uma tempestade de pensamentos. Ao observar uma situação, acionamos o sistema emocional, que aciona a memória, que foi construída com crenças e julgamentos e num piscar de olhos, consciente ou inconscientemente, reagimos, decidimos, fugimos ou enfrentamos.

Desde que nascemos nossos estimulados a balbuciar as primeiras palavras e acaba se tornando um mérito para os pais fazer com que seus filhos falem fluentemente, mas se pararmos para refletir, quando aprendemos a escutar? A capacidade de ouvir está associada ao processo biológico e físico, mas escutar envolve aprendizado, força de vontade, treinamento, presença e empatia.

Otto Scharmer (1996) economista e professor do Massachusetts Institute of Technology(MIT), consolidou e disseminou a “Teoria U” uma metodologia para promover mudanças sistêmicas e que poder ser aplicada no contexto empresarial, escolar, social, econômico e até mesmo no individual. Umas das práticas apresentadas como essencial para promover a mudança é a capacidade da escuta e seus quatro níveis de evolução.

Primeiro nível da escuta: download

É o primeiro nível da escuta, nesta fase não há consciência, e sem consciência não aprendemos e nem exercemos a empatia, é um sistema automatizado, mecânico, a comunicação acontece somente numa via, a fala, fingimos que escutamos e até complementamos as falas com nossos pensamentos. Não há interesse, energia e muito menos presença.

Segundo nível da escuta: factual

É a famosa escuta seletiva, temos um interesse em jogo e abrimos “janelas” da mente durante a comunicação para receber confirmações sobre o que já sabemos e analisamos o que faz e o que não faz sentido antes de concordar. Há interesses individuais, pouca energia e envolvimento.

Terceiro nível da escuta: empática

É ouvir com o coração e acionar o sistema da compreensão, entendimento e envolvimento. É calar a própria voz interna para priorizar cada instante do outro. Ouvir empaticamente é um ato de respeito, consideração e valorização humana. Nesta fase iniciamos a mobilização da mudança sistêmica, da quebra do piloto automático e geramos aprendizados.

Quarto nível da escuta: generativa

Você já passou pela seguinte experiência? Estar com uma dor de cabeça e depois de conversar com uma pessoa especial, a dor desaparece? Aposto todas as minhas fichas que te escutaram de forma generativa. Este nível da escuta promove a cura, a transformação do indivíduo e do coletivo. A linearidade do tempo e do espaço desaparece, perdemos a noção da hora, entramos na energia fluida. É a abertura da mente, do coração e da alma.

Se você leu até aqui é porque está em busca desta mudança, não espere alguém dar o primeiro passo, a consciência de que precisamos de mudanças já é o primeiro passo. Analise como você tem escutado as pessoas a sua volta, a família, amigos, alunos, colegas de trabalho. Dizer que não adianta é um ato de resistência e desistência da vida, precisamos lutar com todas as forças para elevarmos a nossa condição humana.

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